DANIEL OLIVEIRA > EMBLEMAS |
Pretendo ligar o passado ao presente,
retomar a recordação, julgar e chegar
a completar. Os homens são conduzidos
por símbolos. É diferente de ser
conduzido por mensagens.
August Rodin
Nestes trabalhos Daniel Oliveira reinventa um mundo com objectos que são retirados não só do quotidiano, como também nos parecem roubados à infância e ao mundo dos sonhos - como se fosse possível alguém entrar no nosso mais profundo ser e levar o que de mais precioso temos, construindo assim uma espécie de museu pessoal que poderia ser, no limite, o museu da humanidade.
A arte, como a religião e a filosofia, procura respostas mas, muitas vezes, o que acaba
por encontrar são caminhos, fusões, espelhos. A arte consegue dizer-nos o que por
palavras nunca conseguiríamos explicar, porque os tesouros não se dizem e as palavras
não chegam. Estes Emblemas lembram algo de religioso por se assemelharem a relíquias
banhadas a ouro, o mais precioso e também o mais perfeito dos metais. Muitas vezes
associado à luz (da qual possui o brilho) tem um carácter solar e até divino: tanto
a carne dos deuses como a dos faraós egípcios é feita de ouro, os ícones de Buda são
dourados (como sinal de iluminação e perfeição absoluta), assim como o fundo dos
ícones bizantinos (como reflexo da luz celeste). Por isso, ao serem minuciosamente
forrados a folha de ouro, estes objectos transformam-se em alvos de culto e ganham
uma simbologia própria.
Longinquamente lembrar-nos-íamos dos ready-made de Arman, ou os objectos prateados
de Lourdes Castro, mas o que o escultor pretende não é trazer para o espaço museológico
peças que pertencem ao nosso quotidiano, mas sim torná-las em algo que jamais poderia fazer parte do nosso dia-a-dia. Estes Emblemas possuem - tal como é inerente à própria palavra - um sentido simbólico e alegórico que faz com que, de certo modo, vejamos neles algo de primordial: por um lado estes objectos pertencem-nos, por outro eles deixaram de ser nossos porque foram transformados em algo maior a que já não podemos aceder.
Poder-se-ia falar de alquimia? É o artista um alquimista? Em certos aspectos estou convicta de que Daniel o é, pois, ao tocar em matérias que à partida não seriam chamadas para o mundo da arte, transformou-as em símbolos, em objectos de culto idênticos ao que seriam as relíquias de santos.
Num tempo em que a religião nem sempre se encontra presente e as relíquias são bens supérfluos e descartáveis, estes Emblemas - a escada da ascensão, a árvore da vida, a pena, o homem que se inverte, a esfera do mundo - ganharam uma aura e parecem poder ajudar-nos numa busca do que é realmente a essência da vida. Assim nos reencontramos e fazemos as pazes com o sagrado.
Marta Guerreiro
Estados Unidos da América, 1975
Vive e Trabalha em Lisboa.
FORMAÇÃO
1995/2000 - Licenciatura, Artes Plásticas - Escultura, Faculdade de Belas Artes, Universidade de Lisboa
2002/2003 - Frequência da Pós-graduação em Gestão Cultural nas Cidades, I.N.D.E.G./I.S.C.T.E.
PRÉMIOS
2003 - 2º Prémio no concurso "3B Abstract", pelo International Visual Art Comunity Center, Belgrado
2000 - Prémio de Escultura D. Fernando II /IV Edição, Câmara Municipal de Sintra
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
2003 - Emblemas, Galeria Abraço, Lisboa
2002 - Opus Magnum, Galeria Franco.Steggink, Lagoa, S. Miguel, Açores
2001 - Dimensionality, Galeria Municipal de Fitares, Sintra
EXPOSIÇÕES COLECTIVAS
2003
Com Fio, Galeria Abraço, Lisboa
3B Abstract Show, Galerija 73, Belgrado
Desenhos, Flores e Frutos, Galeria Municipal de Fitares, Sintra
2002
Cerâmica e Escultura, Painel de Artistas, Mercado da Ribeira, Lisboa
ArtExaq, Academia das Artes dos Açores, Ponta Delgada, Açores.
Prémios Saluquia às Artes, C. M. Moura, Moura
VIII Exposição Internacional de Artes Plásticas, Vendas Novas
Três em Linha, Galeria Franco.Steggink, Lagoa, S. Miguel, Açores
2001
Exposição de Finalistas 2000 Arte na Fábrica, Fábrica da Cultura, Amadora
Dos Anjos a Beleza e Pormusura, Galeria Municipal de Fitares, Sintra
Exposição Prémio D. Fernando II /V Edição, C. M. Sintra
2000
Jovens Artistas Açoreanos, Fundação da Juventude, Porto
Escultura na Praça 2000, Sala do Risco, Lisboa
Exposição do Prémio D. Fernando II / IV edição, C. M. Sintra
Grupo de Escultura 1.05, Galeria Municipal de Fitares, C. M. Sintra
REPRESENTAÇÕES
Galeria Franco.Steggink, projectos de cultura contemporânea, Lagoa, S. Miguel, Açores
BIBLIOGRAFIA
BAJOUCA, Carlos, Cerâmica e Escultura, Painel de Artistas, Sistema J. Editora Portuguesa de Livros, Lisboa, 2002
|
|