JORGE RAMOS > ARE YOU READY?

Em essência, o gosto traduz-se na imprevisível expressão de uma diversidade de emoções. A reacção do público, por inêrencia ao lugar de espectador, na relação com a obra do artista, sobrepõe-se ao espectro de todos os interesses associados aos mais diferentes meios. Pode fundir-se na formas, nas técnicas, nas cores, nos suportes, nas intenções dos gestos do criador, assumindo quase sempre uma dimensão exterior a todos os actos ou processos de criação. É como se a obra transportasse em si mesma, a possibilidade e a prática da sedução, cativando acertadamente o amante desprevenido.
E a paixão que daí resulta não encontra limites na escrita que acompanha toda ou qualquer necessidade de transcrever o que não se diz.
Ainda assim na proposta que Jorge Ramos nos apresenta, somos cativados a expor-nos diante da sua “mecânica”. Numa paleta suave mas marcada de cores, a sua composição cromática deixa-nos descontraídos mas embrenhados no movimento articulado das suas figuras. É como se todos fossemos diluídos nos gestos que ficam mapiados pelo movimento do pincel, ou pelo ajustar da sua “Trincha Mágica”, enquanto objecto representado-o mesmo que o próprio artista descreve como sendo um elemento eléctrico, com múltiplas funções, capazes de assegurar rapidez e ou instantaneidade. O movimento que nos proporciona, revela-se também, numa técnica curiosa que combina a arte de pintar e a dedicação do bordar. A meticulosa atitude de “traçar” as suas telas com esta prática demonstra bem a entrega do artista.
Quase todas as suas composições nos obrigam a uma reflexão em termos de “disponibilidade”, que também é a de cada um de nós. Em função de todo o quotidiano, nos limites que reclamamos à modernidade, fazem-nos vacilar entre a velocidade e a intensidade. São razões que apuram uma conjugação vasta de corpos ou objectos representados, resultante dos interesses que o artista deseja ver contemplados. São frutos poéticos associados à solidão, ao afecto, ao sexo, ao amor, mas que se relacionam em oposição com o frio, com o off das máquinas, ou com a fracção das narrativas propostas pelo Jorge. É como se o tempo ou o espaço dos sentimentos ou das emoções, fosse quebrado pela separação formal de cada um dos seus quadros; e a tentação é transportada pelo desejo de não os ver nunca separados.
Gosto dos ovos. Aprecio as intenções de os “compartimentar” num registo imediato (na acepção de lhes dar lugar ou espaço), ou de no imaginário poder devorá-los. É a vontade de fazer parte da sua composição ou de a ingerir em fúria; como se num gesto descontrolado do tempo e das suas hipóteses, todos fossemos na realidade, transportados nos ponteiros gastos do um relógio.
Ready, anuncia-se, mostra-se e expõe-se capaz de apaziguar aqueles que não acreditavam. É também capaz de fazer explodir em fúria todos aqueles que não seguirem as instruções ou os manuais das suas “máquinas” engenhosas e temperamentais. Pronto está o artista para prosseguir, para nos cativar, mesmo em pormenor. Arredem-se aqueles que não forem capazes de converter ou assimilar esta dinâmica, porque tudo está a postos. O dispositivo está montado, a indiferença também não é permitida, cabendo a cada um o gesto ou a possibilidade de fazer funcionar esta magnifica “engrenagem”. Aventurem-se e sigam todas as instruções que o desafio é para todos. Estão prontos?

Alexandre Gonçalves
Lisboa, Novembro 2003

Nasceu na Póvoa do Varzim / Portugal 1977
Vive e trabalha na Póvoa de Varzim.

FORMAÇÃO

1996>1998 - Bacharelato em artes plásticas/ pintura/ pela Escola Superior Artística do Porto (E.S.A.P).
1998>2000 - Licenciatura em artes plásticas/pintura/pela Escola de Tecnologias Artísticas de Coimbra (ARCA-E.T.A.C)

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

2003 - “Ready”, Galeria Alvarez, Porto/ Portugal
2001 - “Alegoria à cruzeta”, Galeria A Barraca, Porto/ Portugal

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS

2003
Art Cologne, Koelnmesse/ Alemanha
“7”, Galeria Alvarez salaUM, Porto/ Portugal
“Matrimónio”, Galeria Alvarez, Porto/ Portugal

2000
“Pinturas III”, Fundação Cupertino Miranda, Vila Nova de Famalicão / Portugal
“Pinturas II”, Faculdade de Economia de Coimbra/ Portugal
“32 jovens Pintores”, Galeria 57, Leiria/ Portugal

1999
“Molde Bicudo, Tosse Peluda, Womskel, Escorbuto Gentil”, Galeria Filantrópica, Póvoa de Varzim/ Portugal

1998
“100 VIAS”, Anje/ Porto
“Pinturas I”, Fórum da Maia / Porto


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