CRISTINA TROUFA > NÓS OS ANIMAIS

Se bem que seja uma característica inata na Cristina Troufa, a necessidade de expressar o traço com firmeza é visivel em todas as sua obras. As cores, profusamente aguerridas, são a tonificação necessária para nos transportar à envolvência de histórias ou factos outrora ocorridos na sua vida particular ou criados com propósitos bem definidos. A evolução, ténue, já se repercute no avançar dos anos e das exposições. A expressão das faces envelhecidas rivalizam com a mestria do traço nas novas composições que reúnem seres animais com seres humanos. Se atendermos, com convicção, às constantes imposições da forma e do substracto que as imagens carregam, descobrimos algo mais; talvez a essência dos seres retratados não se separe pelos espaços da tela mas se fundam no conceito global da obra. Não é vã a máxima de que "a imagem vale por mil palavras", a singularidade das obras de Cristina Troufa, desta exibição, conta-nos a história necessária à compreensão dessas palavras. O suposto livre arbítrio na composição é com certeza desfeito quando aprofundamos a simbologia dos actos impressos na tela (exemplo dado na reciprocidade da «Dama de companhia»; quem é a dama e quem é a companhia?)

Carlos Ascenção


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