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alex da silva
> CARTAS DO FIM DO MUNDO
PINTURA
EXPOSIÇÃO > 03 a 30 Julho 2009
As memórias da minha juventude são uma importante fonte da minha inspiração. A relação entre a pintura e a imaginação, o erotismo, os sonhos têm sido sempre para mim um tema constante. O tema permanente é a condição humana, demasiadamente explorado na pintura. É o relacionamento, a luta e a fragilidade dos sentimentos que me inspiram. O amor auto-destrutivo, o mistério, a obrigatoriedade, o vício, a insegurança, a falta de confiança, a tragédia, o amor, a imaginação, a continuidade, o sonho, a segurança, o medo, o frio, o calor, a noite, o dia, a paz, a armadilha... são todas uma viagem de prazeres e de terrores. O que estou a contar é uma história sobre o teatro privado, o que alcança as raízes subconscientes da condição humana.
Uma grande parte das pinturas é vaga, o que constitui efeitos de preservação das emoções suprimidas. Algumas partes das pinturas são abstractas através da utilização de técnicas automáticas e de estudo cuidadoso – estou a explorar a expressão física da emoção física, por causa da natureza difícil de se compreender dos sentimentos.
O efeito da complexidade dos sentimentos é duplicado pela textura caótica dos trabalhos. A tentativa de contornar a silhueta humana numa estrutura audaciosa à superfície, a exploração da expressão física do tema. As pinturas chamam a atenção directa para a sua própria fisicalidade. A cor e a textura são símbolos. A história da paixão e da reflexão é improvisada.
Logo que a pintura está em desenvolvimento, uma história ou uma ideia nasce...
E então a história desenrola-se, como o teatro ou a vida...
Passo hora após hora, enquanto pinto, a observar as minhas criaturas e a pensar nas coisas boas em que elas estão envolvidas.
Basicamente, é o meu modo de escrever poesia.
Tal como todos os vícios, e como o amor forte e a emoção, a pintura é o meu prazer e o meu terror.
ALEX DA SILVA |