Renan Cepeda - Vão de Almas

RENAN CEPEDA
> VÃo de Almas

FOTOGRAFIA


INAUGURAÇÃO > 07 Fevereiro 09 > 21.30 horas

EXPOSIÇÃO > 07 Fevereiro a 03 Março 2009


TEXTO DE PAULO REIS, CURADOR DE ARTE, QUE FIGURA NO CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO.

A arte encantou-se com as máquinas, nos primórdios do século XIX, quando do florescimento da revolução industrial. Artistas como J. M. W. Turner (1775-1851) e, mais tarde, Claude Monet (1840-1926) levaram para suas telas os efeitos atmosféricos das máquinas a vapor anunciando o triunfo das máquinas. Apesar de Turner e Monet não estarem interessados nas máquinas, mas na atmosfera que estas produziam nas suas pinturas, foi através das máquinas que os artistas modernos acreditavam que a arte teria que acompanhar o ritmo da vida.
É nesta sociedade “maquinicista” que nasce a principal invenção mecânica, a câmara fotográfica - decorrente dela viria em seguida, o cinema. Olho atento às multidões e ao frenesi urbano, o fotógrafo viu na máquina fotográfica o ideal para a propagação da imagem, pois a vivência do choque, sentida pelo transeunte na multidão, corresponde à vivência do operário com a máquina, como nos lembra Walter Benjamin (1842-1940) na sua análise sobre Charles Baudelaire. A história aponta para o século XX, como triunfo da fotografia não mais separada da arte, como era no passado subjugada aos ideais positivistas.
A fotografia possibilitou que a existência humana tornasse algo estetizada e que a história cedesse grande parte de sua autoridade à ficção. De qualquer forma, é importante registrar que a arte fotográfica se afirmou pela capacidade de autores modernos tão distintos quanto um Rodchenko ou Cartier Bresson. Como resultante, a pluralidade hoje das práticas artísticas concernentes à fotografia, documental, ensaísta, ficcional, conceptual, jornalística, etc..., demonstra o seu valor como actividade artística e dos processos de reprodutibilidade da imagem da era pós-industrial.
A ideia da arte reprodutível - à revelia de Walter Benjamin - consolidou-se como espaço de acção, de prática, de tendência e mesmo de afirmação da fotografia, numa rejeição ao fetiche do objecto único. Ela, a fotografia, é a máquina que regista o tempo, a vida, as pessoas, e, como tal, impõe-se como algo a ser alcançável por todos; é da sua natureza ontológica.
As imagens de Renan Cepeda conjugam normas e concepções de diversas práticas normativas da fotografia, passando por uma lírica documental até uma composição fotorealista, com cores hiper-realistas que lhes concedem uma caracter híbrido: uma síntese do ensaismo com uma visão jornalística da realidade, exibindo lugares e pessoas que combinam com os décors, com a topografia e a cultura dos retratados. A fotografia, para Renan Cepeda, é a sua cosmovisão de um mundo, onde a ficção e a realidade se conjugam através do seu olhar criativo.




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