Heliogabalus é um texto da Idade da Peste. Volvido num constante fervilhar dos enormes abismos da linguagem, nele acabarão os incautos por se apanhar imersos num caleidoscópio de sensações, aí obrigados ao turbulento ressoar de uma alegoria negativa, qual espelho inquietamente revelador de todas as épocas. Nele, arrastados por marés barrocas e brutais, vexados pelo cáustico aterrador de todas as asserções, já tornadas num qualquer modo de música coxa e arcaica, acabarão, finalmente, por ser apanhados nas redes do Caos. Depois, no limiar de desvelar que o Bem possível, afinal, nunca poderá passar do Mal na forma degradada, ainda continuarão a derivar perigosamente para o Vazio, onde, desamparados, nada mais lhes ficará do que mãos pilhadas de nudez, impotentemente postas a escutar o surdo rumor do reordenar do Mundo. |
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